ÚLTIMA SESSÃO, PRIMEIRO EMBARQUE: VEREADORES DE CARANGOLA APROVAM PASSAGENS AÉREAS CUSTEADAS PELA CÂMARA NO APAGAR DAS LUZES DE 2025
17 de dezembro de 2025
Na última reunião ordinária de 2025, realizada na segunda-feira (15), a Câmara Municipal de Carangola encerrou o ano legislativo com uma decisão que chamou a atenção — e provocou questionamentos. A Mesa Diretora apresentou e aprovou, em tempo recorde, o Projeto de Lei nº 107/2025, que amplia benefícios aos próprios vereadores.
A proposta altera a Lei nº 5.169, de outubro de 2019, e autoriza o reembolso de passagens aéreas ou rodoviárias utilizadas por vereadores em compromissos políticos, **sem prejuízo do recebimento integral das diárias**. O texto também permite que a própria Câmara adquira diretamente passagens aéreas para os parlamentares, mantendo igualmente o pagamento das diárias — neste caso, sem reembolso posterior.
A única exigência prevista é que o deslocamento aéreo seja utilizado quando a distância terrestre superar 300 quilômetros.
O projeto foi lido de forma sucinta pelo secretário da Casa e recebeu pedido de destaque do líder do governo, vereador Carlos do Laboratório. Na mesma noite, a matéria foi colocada em votação em primeiro e segundo turnos e **aprovada por unanimidade**, sem debates registrados em plenário.
Com a nova lei, a partir de 2026, vereadores de Carangola poderão viajar de avião para compromissos oficiais utilizando recursos públicos da Câmara, além de continuarem recebendo integralmente suas diárias.
A aprovação ocorreu em um plenário com presença reduzida do público — cenário comum em dezembro, período marcado por formaturas, solenidades e confraternizações — e **sem qualquer discussão sobre o impacto financeiro da medida**.
O episódio remete a decisões anteriores tomadas também no fim do ano. Em 2024, na última reunião do período legislativo, vereadores da mesma legislatura aprovaram benefícios como vale-alimentação e plano de saúde. Em 2025, o “presente” veio em forma de passagens aéreas.
A forma acelerada da tramitação e votação, somada à ausência de debate público, levanta questionamentos sobre transparência e prioridade no uso dos recursos públicos.
Fica, portanto, a reflexão para a população de Carangola:
a aprovação desta lei era necessária?
o tema deveria ter sido amplamente discutido?
e, sobretudo, esse episódio deve ser lembrado nas eleições municipais de 2028?
As conclusões ficam a cargo do leitor e eleitor.
CARANGOLA NOTÍCIAS
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